Atualização: 7 de setembro de 2026.
No post anterior, Apps com AI (system prompts) e benchmarks de LLMs, listei três referências: ARC Prize, SWE-bench e CodeClash. Desde então, a quantidade de leaderboards cresceu bastante, e ficou mais difícil responder a uma pergunta simples: qual modelo é melhor?
A resposta depende do teste. Um modelo pode liderar em programação e perder em matemática, uso de ferramentas, escrita, visão ou custo. Por isso, o primeiro erro é tratar um ranking isolado como se fosse uma tabela definitiva da inteligência de uma LLM.
Onde comparar modelos de IA
A lista abaixo está ordenada por reconhecimento, cobertura e frequência de atualização. A ordem não significa que o primeiro site seja melhor para todos os casos.
- Artificial Analysis mantém comparativos de inteligência, coding agents, velocidade, custo por tarefa, tokens gerados, provedores e abertura dos pesos. O Intelligence Index v4.2 combina dez avaliações, entre elas AA-Briefcase, GDPval-AA, Terminal-Bench, SciCode, Humanity’s Last Exam e AA-LCR.
- LMArena é a evolução do Chatbot Arena. Pessoas comparam respostas sem saber qual modelo produziu cada uma, e os resultados formam um ranking Elo. É uma boa medida de preferência humana, mas não substitui tarefas verificáveis.
- LiveBench tenta reduzir contaminação usando perguntas novas e atualizações frequentes. Divide os resultados por raciocínio, matemática, programação, linguagem e conhecimento.
- Scale Labs Leaderboards reúne avaliações de fronteira, segurança e agentes. A página inclui SWE Atlas, MCP Atlas, SWE-bench Pro, Humanity’s Last Exam, MultiChallenge, VisualToolBench, TutorBench e outros.
- SWE-bench executa agentes em issues reais de repositórios públicos. Há versões Full, Verified, Lite, Multilingual e Multimodal. É uma das referências mais úteis para coding agents.
- Terminal-Bench mede se um agente consegue concluir tarefas dentro de um terminal, incluindo configuração, uso de ferramentas, programação e depuração. O resultado combina taxa de resolução, custo e tokens.
- Aider Polyglot Leaderboard testa edição de código em 225 exercícios de C++, Go, Java, JavaScript, Python e Rust. É particularmente útil para medir se o modelo consegue alterar um repositório sem intervenção humana.
- EvalPlus amplia HumanEval e MBPP com testes mais rigorosos. Também aponta para BigCodeBench, LiveCodeBench, RepoBench, CrossCodeEval, ClassEval, Code Lingua e outras avaliações de programação.
- ARC Prize Leaderboard mede raciocínio abstrato em problemas que exigem descobrir regras a partir de poucos exemplos. Também apresenta a relação entre desempenho e custo.
- CodeClash avalia agentes como desenvolvedores orientados a objetivos. Em vez de corrigir uma issue curta, eles precisam criar artefatos de software, como jogos, seguindo várias etapas.
- ProgramBench mede se modelos conseguem construir artefatos de software significativos do zero, uma tarefa diferente de completar uma função ou corrigir um bug.
- LiveCodeBench usa problemas recentes de programação competitiva, com coleta contínua para dificultar o vazamento dos enunciados para o treinamento.
- BigCodeBench avalia geração de código em tarefas mais realistas, com bibliotecas, instruções compostas e chamadas de funções.
- Hugging Face Open LLM Leaderboard comparou modelos de pesos abertos em várias avaliações padronizadas. Está arquivado desde 2025, como snapshot estático, e não recebe modelos novos. Serve como registro histórico, não como ranking atual.
- MMLU-Pro aumenta a dificuldade do MMLU e reduz o efeito de perguntas fáceis ou de respostas por eliminação.
- GPQA testa perguntas científicas feitas para serem difíceis até para especialistas com acesso a ferramentas.
- Humanity’s Last Exam reúne questões de várias áreas acadêmicas e profissionais, com foco em conhecimento e raciocínio de fronteira.
- MMMU avalia raciocínio multimodal em imagens, diagramas e perguntas de nível universitário.
- BFCL mede chamadas de função e uso de ferramentas, incluindo seleção da ferramenta e argumentos corretos.
- τ-bench coloca agentes em diálogos com usuários e APIs de ambientes reais, avaliando se seguem políticas e concluem a tarefa.
- GAIA mede assistentes gerais que precisam pesquisar, calcular, ler arquivos e usar ferramentas.
- BrowserGym e WebArena avaliam agentes navegando em sites e executando tarefas de ponta a ponta.
- AgentBench compara agentes em ambientes como navegação, bancos de dados, sistemas operacionais e jogos.
- ToolBench concentra-se em planejamento e uso de APIs.
- HELM organiza avaliações com foco em transparência, reprodutibilidade, segurança, robustez e eficiência.
- SafetyBench avalia segurança e comportamento sob prompts problemáticos, com questões de múltipla escolha em várias categorias de risco.
- METR pesquisa a capacidade de agentes realizarem tarefas longas e relevantes para trabalho, além de medir a confiabilidade dessa autonomia.
- SWE-rebench e SWE-fficiency exploram, respectivamente, avaliação contínua de engenharia de software e eficiência do trabalho realizado.
Também vale acompanhar os repositórios oficiais dos benchmarks. Leaderboards mudam, modelos saem do ar, mantenedores atualizam prompts e os próprios fornecedores submetem parte dos resultados. Um número sem versão, data, agente, nível de raciocínio e custo não é uma comparação completa.
Modelos fechados versus modelos de pesos abertos
Modelo fechado é aquele cujo peso, dados de treinamento ou método completo não estão disponíveis. O usuário normalmente acessa uma API ou aplicativo hospedado pela empresa. Claude, GPT e Gemini são exemplos dessa categoria, embora cada empresa divulgue quantidades diferentes de informação.
Modelo de pesos abertos disponibiliza os pesos para download, execução local ou hospedagem por terceiros. Isso não significa automaticamente que os dados de treinamento, o código de treinamento e toda a documentação estejam abertos. Por isso, “open source” costuma ser usado de forma imprecisa. “Pesos abertos” é uma descrição mais segura para modelos como DeepSeek, Qwen, Llama e gpt-oss.
A diferença prática fica assim:
- Modelos fechados tendem a oferecer infraestrutura gerenciada, versões estáveis, suporte, filtros, ferramentas integradas e acesso aos modelos maiores sem hardware próprio.
- Modelos de pesos abertos permitem auditoria parcial, ajuste fino, execução privada, escolha do provedor, menor dependência de uma empresa e custo potencialmente menor em escala.
- Um modelo aberto exige mais decisões sobre GPU, quantização, latência, atualização, segurança e observabilidade quando é hospedado pelo próprio usuário.
- “Aberto” não quer dizer gratuito. GPU, energia, armazenamento, engenharia e operação também entram na conta.
- “Fechado” não quer dizer melhor. A qualidade depende da tarefa, do agente, do prompt, do contexto, do nível de raciocínio e do provedor que serve o modelo.
Os resultados recentes mostram uma distância menor do que o marketing costuma sugerir. No Aider Polyglot, por exemplo, um teste de 225 problemas registrou Claude Opus 4 com 32k de thinking em 72,0%, DeepSeek R1-0528 em 71,4%, Qwen3 235B A22B sem thinking em 59,6% e gpt-oss-120b com esforço de raciocínio alto em 41,8%. As configurações fazem parte do resultado: o mesmo Opus 4 sem thinking cai para 70,7%, e o R1 original, anterior ao 0528, fica em 56,9%. As diferenças são de 0,6 ponto entre Opus e DeepSeek, 12,4 pontos entre Opus e Qwen e 30,2 pontos entre Opus e gpt-oss-120b.
Os resultados vieram de datas, versões e configurações diferentes, então o que dá para tirar dali é limitado: em algumas tarefas um modelo aberto empata na prática com um fechado, em outras fica bastante atrás. A distância real precisa ser medida benchmark por benchmark.
O próprio Artificial Analysis separa modelos Proprietary, Open Weights e Open Weights com restrições comerciais, além de oferecer custo por tarefa. Essa separação é melhor do que colocar todos os modelos abertos em um único grupo, porque Qwen, DeepSeek, Llama, gpt-oss e modelos locais menores têm capacidades e licenças muito diferentes.
Minha assinatura e o mesmo harness
Minha referência pessoal hoje é uma assinatura anual do Claude, mantida desde 2024. Também uso o OpenCode Go e o Abacus.AI, ambos a US$ 10 por mês.
No OpenCode Go, a página oficial lista 27 modelos, misturando pesos abertos e proprietários. Alguns deles:
- Kimi K3
- Grok 4.6
- Hy4 Preview
- GPT 5.6 Luna
- GLM-5.3-Flash
- MiniMax M3
- Qwen3.7 Plus
- Hy3
- Qwen3.8 Flash
- DeepSeek V4 Flash
- LongCat-2.0
- Omen Alpha
- MiMo-V2.5
- Muse Spark 1.3 Contributor, com disponibilidade limitada por região
O plano não conta requisições: mede o uso em dólares, ao preço por token de cada modelo, com teto de US$ 12 por janela de cinco horas, US$ 30 por semana e US$ 60 por mês. A página promete cerca de seis vezes o valor da assinatura em uso para a maioria dos modelos, com multiplicadores menores para os mais recentes ou já descontados. Isso não é uma unidade universal de tokens, então não dá para converter direto em cota de API sem consultar a conta.
Na página pública do ChatLLM da Abacus.AI, os modelos e produtos destacados são:
- Opus 5
- Fable 5.1
- Sonnet 5
- GPT-6 Astra
- GPT-5.6 Sol
- GPT-5.6 Terra
- GPT-5.6 Luna
- Gemini 3.1 Pro
- Gemini 3.8 Flash
- Kimi K3
- GLM 5.3
- DeepSeek v4
- Grok 4.6
- Abacus Smaug
- Nano Banana Pro
- GPT Image 2
- Seedance 2.5
- Kling 3.0
- Veo 3.1, pelo Abacus AI Studio
A lista da Abacus é dinâmica e a própria página aponta para um FAQ com mais de cem modelos e modalidades. Portanto, esta é a lista visível publicamente no momento da captura, não uma promessa de que todos estarão disponíveis com a mesma cota em qualquer conta ou região.
A marca do provedor importa menos do que o que fica constante entre elas. Com a minha ai-md-stack, o harness, as premissas de execução, as skills e o agente global são os mesmos. Trocar Claude por um modelo do OpenCode Go ou da Abacus muda o motor, mas preserva o ambiente de teste.
Sem isso, mudar de uma vez o modelo, o prompt, as ferramentas, as regras do agente e a forma de avaliar o resultado significa comparar produtos inteiros com configurações diferentes, não modelos.
Ainda assim, o harness não elimina todas as diferenças. Cada provedor pode aplicar system prompts próprios, truncar contexto, alterar parâmetros, limitar raciocínio, usar roteamento interno ou filtrar ferramentas. O resultado é uma comparação controlada, não um experimento perfeitamente idêntico.
Quanto custariam 200 mil tokens?
A conta abaixo assume 100 mil tokens de entrada e 100 mil tokens de saída. É uma simulação simples para tornar os preços comparáveis. Em uma tarefa real, o agente pode consumir muito mais entrada do que saída, repetir chamadas, usar cache, gerar tokens de raciocínio e fazer várias chamadas de ferramenta.
Para cada modelo, a fórmula é:
custo = (100.000 / 1.000.000 × preço de entrada) + (100.000 / 1.000.000 × preço de saída)
Usando preços públicos de API em setembro de 2026, na faixa de contexto padrão de cada modelo e sem descontos de cache:
- Claude Fable 5.1, US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída: US$ 6,00.
- GPT-6 Astra, US$ 10 por milhão de entrada e US$ 50 por milhão de saída até 272 mil tokens de contexto: US$ 6,00.
- Claude Opus 5, US$ 5 por milhão de entrada e US$ 25 por milhão de saída: US$ 3,00.
- Gemini 3.1 Pro, US$ 2 por milhão de entrada e US$ 12 por milhão de saída até 200 mil tokens de contexto: US$ 1,40.
- Claude Sonnet 5, US$ 2 por milhão de entrada e US$ 10 por milhão de saída: US$ 1,20.
- Claude Haiku 4.5, US$ 1 por milhão de entrada e US$ 5 por milhão de saída: US$ 0,60.
- GLM 5.3, US$ 1,40 por milhão de entrada e US$ 4,40 por milhão de saída: US$ 0,580.
- Kimi K2.7 Code, US$ 0,95 por milhão de entrada e US$ 4,00 por milhão de saída: US$ 0,495.
- DeepSeek V4 Pro, US$ 0,66 por milhão de entrada e US$ 1,98 por milhão de saída no preço fora de pico: US$ 0,264.
- DeepSeek V4 Flash, US$ 0,22 por milhão de entrada e US$ 0,66 por milhão de saída no preço fora de pico: US$ 0,088.
- GLM-5.3-Flash, US$ 0,15 por milhão de entrada e US$ 0,50 por milhão de saída: US$ 0,065.
- Qwen3.8 Flash, US$ 0,15 por milhão de entrada e US$ 0,47 por milhão de saída: US$ 0,062.
Do topo ao fim da lista são quase cem vezes de diferença na mesma tarefa. A DeepSeek cobra por horário desde agosto de 2026, e os modelos Pro do Google e da OpenAI mudam de faixa de preço acima de um certo contexto, então o mesmo trabalho pode custar o dobro dependendo de quando e de quão cheio o contexto vai.
Os valores acima são o preço de API, não o valor da assinatura. Dentro de Claude, OpenCode Go e Abacus.AI, a tarefa não gera uma cobrança adicional de US$ 6,00 ou US$ 0,062. Ela consome a cota, o teto de uso da janela, os créditos ou os multiplicadores definidos pelo plano.
O custo de US$ 10 mensais de um plano precisa ser comparado com a quantidade de trabalho permitida, não com um único preço de API. Se uma assinatura de US$ 10 permitir uma tarefa que custaria US$ 6 em API, ela já entregou mais da metade do preço mensal em uma única execução. Só que essa mesma tarefa comeria metade do teto de US$ 12 da janela de cinco horas do OpenCode Go. O preço marginal continua existindo, só que aparece como limite de uso, não como boleto separado.
Tokens visíveis e tokens faturados também não são a mesma coisa. Um agente pode enviar o mesmo arquivo várias vezes, receber tokens de raciocínio que não aparecem na resposta final e repetir uma etapa após uma falha. Por isso, 200 mil tokens na interface não necessariamente significam 200 mil tokens cobrados pelo provedor.
O que os benchmarks mostram
A evidência atual não sustenta nem “abertos venceram fechados” nem “fechados são sempre superiores”.
- Os melhores modelos de pesos abertos já chegam muito perto dos melhores fechados em várias tarefas de raciocínio e programação.
- Em tarefas de agente longo, uso de ferramentas, segurança, multimodalidade e confiabilidade, a diferença pode aumentar.
- Em coding, o agente e o ambiente importam tanto quanto o modelo. SWE-bench, Terminal-Bench e Aider medem sistemas completos, não apenas uma resposta isolada.
- O preço por token favorece muito os modelos abertos quando existe um endpoint competitivo ou quando a execução local é viável.
- Para uma pessoa que paga US$ 10 por mês e usa vários modelos com o mesmo harness, o ganho mais concreto é poder escolher o motor adequado para cada tarefa sem reescrever todo o fluxo.
Em vez de perguntar qual LLM ganhou o ranking, hoje eu pergunto qual modelo resolve a minha classe de tarefas, com o meu agente, dentro do meu orçamento e com uma diferença de qualidade que justifique o custo.
