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Carro no Brasil desvaloriza muito?

Carro no Brasil desvaloriza muito?

A compra de um veículo é um dos maiores investimentos para muitas famílias brasileiras. No entanto, assim que o carro sai da concessionária, inicia-se um processo inevitável e muitas vezes doloroso: a desvalorização. Entender como esse fenômeno ocorre e quais fatores o influenciam é crucial para tomar decisões financeiras mais inteligentes.

Um estudo realizado pela FINN, empresa de assinatura de carros sediada no Reino Unido, e divulgado pelo portal Global Fleet, lançou luz sobre as taxas de desvalorização em diversos mercados globais após três anos de uso. Embora o Brasil não tenha sido incluído diretamente na amostragem da FINN, os dados internacionais fornecem um panorama interessante para comparação e reflexão sobre o nosso próprio mercado.

O Cenário Internacional da Desvalorização (após 3 anos)

A pesquisa da FINN revelou variações significativas na perda de valor dos veículos entre os países analisados. Veja a tabela comparativa:

PaísDesvalorização em 3 anos (%)
Canadá39,7%
EUA40,1%
Reino Unido40,8%
Alemanha42,6%
Itália44,8%
França45,1%
Espanha46,9%
Holanda47,1%
Austrália47,5%
Bélgica48,7%

Fonte dos dados internacionais: Estudo da FINN, divulgado pelo Global Fleet.

O artigo destaca que, embora os EUA tenham uma alta quilometragem média anual (21.726 km), sua taxa de desvalorização é relativamente baixa. Fatores como popularidade da marca, condição do veículo, quilometragem e até mesmo a cor influenciam a desvalorização.

A Carspring também analisou a taxa de depreciação entre as 13 principais marcas vendidas no Reino Unido e encontrou diferenças acentuadas entre as marcas populares. Os MINIs, por exemplo, perdem apenas 46,8% de seu valor em três anos, enquanto os Toyotas valem apenas 25,41% de seu novo preço. Audi, Volkswagen, Ford e Vauxhall sofrem a menor depreciação das principais marcas de frota no Reino Unido, mas todos chegam perto de perder metade do seu valor, se não mais, em apenas três anos.

Sim, mais de 50% em 3 anos para as principais marcas vendidas.

Observa-se que, na média geral, mesmo em mercados maduros, a perda de valor pode se aproximar de 50% em apenas três anos. O Canadá apresentou a menor taxa de desvalorização entre os listados (39,7%), enquanto a Bélgica registrou a maior (48,7%).

E no Brasil?

Embora o estudo da FINN não contemple dados específicos do Brasil, é sabido que a desvalorização por aqui também é um fator de peso. Diversos elementos influenciam o quanto um carro perde valor no mercado brasileiro:

1. Marca e Modelo: Veículos de marcas com boa reputação de confiabilidade e pós-venda, e modelos com alta demanda no mercado de usados, tendem a desvalorizar menos.

2. Popularidade e Volume de Vendas: Carros muito vendidos geralmente têm maior liquidez e, por vezes, menor desvalorização. Ou seja, os mais vendidos 0km são os mais procurados no mercado de usados, logo, desvalorizam menos.

3. Estado de Conservação: Manutenção em dia, ausência de avarias e boa aparência são cruciais.

4. Quilometragem: Quanto menor a quilometragem, geralmente menor a desvalorização.

5. Cor: Cores neutras como prata, preto, branco e cinza costumam ter melhor aceitação e menor desvalorização do que cores muito vibrantes ou personalizadas.

6. Itens de Série e Opcionais: Veículos mais completos podem segurar melhor o valor.

7. Situação Econômica do País: Inflação, taxas de juros e poder de compra da população afetam diretamente o mercado de usados.

8. Lançamento de Novas Gerações ou Facelifts: A chegada de um modelo atualizado pode acelerar a desvalorização da versão anterior.

9. Custos de Manutenção e Seguro: Modelos com peças e seguro mais caros podem sofrer maior depreciação.

AutoCost info

Pelo https://autocosts.info/worldstats num total de 36 países, o Brasil fica na posição 30 de maior depreciação anual do veículo (do país com maior desvalorização para o menor).

Uma diferença de 63,54% abaixo do valor de depreciação encontrado no país topo do ranking quando olhamos os valores de desvalorização do automóvel (Dinamarca).

O Autocosts usa dados estatísticos vindo de pesquisas com os proprietários.

Índice Corolla

O Toyota Corolla é um modelo vendido no Brasil que também é comercializado na maior quantidade de outros países ao redor do mundo. É um dos automóveis mais vendidos da história globalmente, com presença em diversos países, incluindo América do Norte, Europa, Ásia, Oceania e América Latina.

Isso o torna ideal para comparações internacionais de preço, motorização, equipamentos e consumo.

Posição do Toyota Corolla no Brasil:

No ranking geral: O Corolla geralmente se posiciona entre o 10º e o 25º lugar, dependendo do mês e da performance de outros modelos.

No segmento de sedãs médios: Ele é quase sempre o líder absoluto, com uma grande vantagem sobre os concorrentes diretos.

Contexto Histórico Recente (Exemplo com dados de 2024): Para dar uma ideia, no acumulado de 2024 (ano fechado), o Toyota Corolla ficou na 14ª posição geral no ranking de automóveis de passeio, com 42.088 unidades vendidas, sendo o sedã médio mais vendido do país.

Tabela atualizada com os preços do Toyota Corolla 2025 em diversos países, incluindo a conversão para reais (BRL), o local de fabricação, o preço médio de revenda do modelo 2022 no mercado de usados, a porcentagem de desvalorização após 3 anos.

Mas tenha em mente que:

  1. Há fatores como carga tributária, custos de produção e políticas de importação. Esses elementos impactam diretamente na depreciação e no valor de revenda dos veículos no país.

  2. O veículo ser global não significa que é o mesmo sendo fabricado e vendido pelo mundo. Há muitas diferenças para cada mercado. O modelo japonês é menor em comprimento, entre-eixos e largura, somente no Brasil é flex, nos outros países há opção a diesel e motores 1.2L Turbo, 1.3L, 1.4L, 1.5L, 1.6L, 1.8L, 2.0L

  3. No Chile, até 2010 era vendido o Corolla brasileiro… Passaram a importar a versão do Japão, que possui maior qualidade de acabamento e tecnologia. Uruguai e México tiveram movimentos semelhantes, interrompendo o modelo brasileiro, sendo que o México passou a importar do Canadá e no Uruguai, o modelo do Japão.

  4. Países como Bolívia, Nova Zelândia e Taiwan possuem em seus mercados modelos oriundos de diversas fábricas (principalmente Japão, mas também EUA, Canadá e Austrália), contribuindo para oscilar ainda mais os valores.

PaísPreço Novo (2025)Conversão (BRL)Local de FabricaçãoPreço Usado 2022Conversão (BRL)Desvalorização (%)Fonte
🇧🇷 BrasilR$ 164.590R$ 158.490Indaiatuba, SP, BrasilR$ 120.000R$ 120.00024,3%Toyota Brasil
🇺🇸 EUAUS$ 22.325R$ 115.000Blue Springs, MS, EUAUS$ 17.641R$ 90.00021,7%Cars.com
🇯🇵 Japão¥2.886.800R$ 113.000Miyagi/Iwate, Japão¥2.000.000R$ 78.00031,0%Autogiz
🇦🇺 AustráliaA$ 29.270R$ 102.000Japão (importado)A$ 26.000R$ 91.00010,8%CarsGuide
🇨🇦 CanadáCA$ 23.670R$ 94.000Japão (importado)CA$ 20.000R$ 80.00014,9%AutoTrader
🇬🇧 Reino Unido£32.000R$ 210.000Derbyshire, Reino Unido£18.428R$ 121.00042,4%Autotrader UK
🇩🇪 Alemanha€27.000R$ 145.000Derbyshire, Reino Unido€20.000R$ 108.00025,5%Toyota DE
🇲🇽 MéxicoMX$ 421.100R$ 115.000Guanajuato, MéxicoMX$ 300.000R$ 86.00025,2%Motorpasion México
🇮🇳 Índia₹1.500.000R$ 90.000Bidadi, Karnataka, Índia₹1.000.000R$ 60.00033,3%91wheels
🇿🇦 África do SulR 352.500R$ 100.000Durban, África do SulR 250.000R$ 71.00029,0%Carwithprices

Carro desvaloriza muito no Brasil?

Difícil acreditar, mas não!

No Brasil, não é incomum que um veículo perca entre 10% e 20% de seu valor somente no primeiro ano de uso.

Ao longo de três anos, essa perda ficará entre 30% ou 40%, dependendo da combinação dos fatores acima. Veículos de nicho ou de marcas com poucas vendas no país tendem a sofrer desvalorizações ainda mais acentuadas.

Mas mesmo assim, estamos muito longe da desvalorização próxima e que às vezes ultrapassa mais da metade do valor do automóvel em países como EUA, Reino Unido, Nova Zelândia, México, Japão e outros. Tanto em modelos de nicho com desvalorização alta e baixa procura quanto em modelos com mercado estável e bem procurados, como o Corolla.


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